A CRUZ A SER ASSUMIDA

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Como escravo e instrumento, sob a autoridade de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e em comunhão com o Espírito Santo de Deus, saúdo aos irmãos com a Graça e a PAZ do Altíssimo.

Este é um assunto delicado, e porque não dizer árduo no contexto de que muitos são os entendimentos e visões à cerca da cruz que cada um de nós deve carregar diante de nosso Senhor Jesus Cristo.

Vivemos numa época onde várias são as trincheiras teológicas, cada um buscando defender aquilo que convém a partir das próprias visões, dos próprios interesses e verdades que se deseja implantar no seio das ovelhas ávidas por instrução e unção.

A princípio deve ficar entendido que a cruz não é algo fácil de carregar como muitos pensam e por vezes atestam, uma vez que há a necessidade primeira de se renunciar a si mesmo e receber a Jesus Cristo como Senhor, único , bastante e exclusivo Salvador da nossa vida, por ser Ele, o caminho a verdade e a vida, o único que toma para si o jugo, e de si emana a mansidão e a humildade de coração, qualidades inerentes a quem realmente deseja ser semelhante a Ele, mesmo sendo imperfeito.

Para que haja a cruz na vida, necessário se faz a comunhão plena em obediência e aceitação, pois não há promessa de riquezas materiais , mas, sim riquezas espirituais advindas do que é ser como Cristo, e como Ele caminharmos sabedores de que seremos perseguidos, mal vistos, envergonhados, humilhados, julgados, tendo a certeza da recompensa que será o compartilhar da Sua glória no tempo que próximo está.

Não há como pertencer a Cristo e viver para agradar a si mesmo, não há como vislumbrar bens mundanos e ao mesmo tempo dedicar vida ministerial segundo os fundamentos da Palavra Sagrada, não se pode unir a vontade da carne com a vontade do espírito, porque sabemos que ambos se opõem, não há como tomar a cruz e não seguir ao Mestre, pois jamais se tornará um verdadeiro discípulo.

Realmente, a vida cristã começa com um ato de auto-renúncia, a partir de uma decisão irrevogável e plena do desejo de ser semelhante a Jesus Cristo. Faz-se necessário morrer para renascer, deixar o que não agrega valores para trás e dedicar-se exclusivamente ao que preconiza o ensino fundamentado.

Como cristãos dispostos a fazer a vontade dEle devemos sempre perguntar “Senhor, que queres que eu faça?”, uma vez que a nossa vida não pertence a nós, mas, sim a Ele, e temos que viver na busca do grande alvo, posto diante de cada um de nós a fim de que como cristãos sejamos testemunhas de um caminhar que nos foi legado por Jesus Cristo, seguindo os exemplos que Ele nos deixou, jamais buscando coisas que nos agrade, mas que agrade a Ele, mesmo que surjam dificuldades no caminho ou obstáculos, dos quais o principal é o próprio ego que sempre tenta se sobrepor e mudar os rumos do que deveria ser aprazível aos olhos de Deus.

O primeiro passo é realmente negar-se a si mesmo, não permitindo que o próprio eu carnal crie barreiras ou até mesmo atalhos para “facilitar” a caminhada, fazendo cessar sobre si o descansar sobre as coisas do mundo; renunciar completamente a própria sabedoria porque temos que ser como crianças e não soberbos em nossas próprias visões; de forma alguma confiar na carne, pois toda ruína vem da confiança exacerbada que cega e limita o entendimento, devendo se manter de pé, sóbrio espiritualmente, e aceitando sem delongas aquilo que é a vontade expressa de Deus sobre a vida que nos foi dada.

O segundo passo é não conceber a idolatria, seja qual for a origem devendo ser veementemente repudiada, pois, a idolatria pertence somente aos não-cristãos e amantes de si mesmos.

A Graça é de graça, mas, a glória tem preço, e não há ressalvas, nenhuma exceção para que se faça caminho de forma oposta ao que está escrito e fundamentado, e é esta cruz que exige a negação do ego para que em Jesus Cristo se cumpra tudo o que é requerido de todos os Seus seguidores, e de forma espontânea, não imposta, deve nortear os propósitos assumidos devendo ser realizados com esmero e satisfação, não relutando, não murmurando, pelo contrário, fazendo de todo o coração, humilde e quebrantado exclusivamente para o Senhor e não para homens.

Que fique claro que a cruz a ser carregada não é um objeto de fé, mas uma experiência na alma onde a fé é manifesta, e nada se compara com o que o mundo está acostumado a lidar e oferecer, uma vez que as virtudes experimentais da Cruz de Jesus Cristo são colhidas à medida que cada um se molda e se encontra dentro do verdadeiro propósito cristão, a partir da aceitação do que realmente implica a cruz às próprias vidas.

A verdadeira conduta se dá pelos princípios éticos e espirituais que se tornam eficazes sobre o pecado que há em nós, e a “cruz” é o verdadeiro símbolo, a evidência do que somos como cristãos, cruz que significa liberdade, ausência de dívidas, e que distingue um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, do mundo que se esconde em religiões de homens.

O mundo que vivemos não mudou em relação aos tempos passados, pior ainda, estamos em meio ao naufrágio de uma geração que tem acesso aos históricos dos tempos idos e todo o conhecimento necessário para edificação espiritual através da Bíblia, geração que valoriza o que é passageiro e desagregador, preferindo ser amigo do mundo e consequentemente inimigo de Deus, pois, como sabemos é impossível andar com Jesus Cristo se ainda há ligações com o mundo.

A cruz é a demonstração da obediência de Jesus Cristo à vontade Soberana de Deus PAI, e nela reside todo o exemplo que devemos seguir com passo firme e honradez, com obediência e humildade, não havendo vergonha e sofrimento, acusação e perda, pelo contrário, não devemos nos acovardar, porque a cruz é rendição e dedicação a Deus, a cruz assumida significa amor e provimento, liberdade e salvação, pois Jesus Cristo deu a Sua vida por todos nós, e como Seus seguidores somos chamados a estarmos sempre dispostos a defender a essência de tudo quanto representa o sacrifício que foi feito.

Somos chamados para seguir o exemplo de Jesus Cristo, assumindo as responsabilidades a nós confiadas em prol do Santo Reino, não importando as dificuldades pelas quais venhamos a passar, pois é inerente ao verdadeiro cristão que busca a semelhança de Jesus, participar também daquilo que Ele passou de forma obediente e honrosa.

Devemos nos esvaziar de nós mesmos lembrando sempre daqueles que têm maior necessidade do que nós mesmos, lembrando e fazendo lembrar o motivo pelo qual fomos todos chamados, assumindo verdadeiramente a cruz que cada um de nós, certamente a tem, pois, a vida que é vivida em prol do próprio ego, está perdida para eternidade, enquanto que a vida que é dedicada e rendida a Cristo, será preservada durante toda a eternidade através da Salvação espiritual.

Que a cruz assumida por cada um esteja repleta de caminhos e experiências diante de nosso Senhor para o colher dos verdadeiros frutos de Sabedoria, obediência, retidão e honra, e que as bênçãos celestiais venham a inundar a cada um na manutenção do propósito maior que é o de servir a quem nos serviu: nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Amém.

(Bp Jurandir Argôlo)

“O Senhor te abençoe e te guarde;

O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;
O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” ( Nm 6:24-26 )