Café Filosófico CPFL – A voz das ruas e as ruas sem voz – com Reinaldo Azevedo

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As manifestações de rua no Brasil foram celebradas, aqui e ali, como uma espécie de “Primavera Árabe” ou “Primavera Turca”. A comparação faz pouco sentido: talvez seja mais adequadado qualificá-las como um curto inverno da anarquia. Os protestos podem até ter sido contra o governo, mas foram a favor do “regime”, algo curioso e quase inédito. Eles devem ser interpretados como sintomas de uma perigosa esclerose política.Reinaldo Azevedo é jornalista, colunista da VEJA.com e comanda um blog hospedado no site da revista. É autor de Contra o consenso, O país dos Petralhas I, Máximas de um país mínimo e O país dos Petralhas II.

Módulo: Fragmentos da democracia – as “jornadas de junho” no Brasil

“Jornadas de junho”: a onda de manifestações populares no Brasil precisava de um nome próprio, apropriado tanto às suas dimensões quanto aos seus estreitos limites temporais. Maiores que os protestos dos “cara-pintadas” que provocaram a renúncia de Fernando Collor, em 1992, e comparáveis às manifestações públicas da Campanha das Diretas, em 1983-84, as “jornadas de junho” distinguiram-se pela ausência dos principais atores políticos institucionais – partidos e centrais sindicais – e pela capacidade de mobilização das redes sociais.

“Não é pelos vinte centavos”, dizia uma faixa que se tornou célebre. O estopim foram passeatas convocadas pelo Movimento Passe Livre contra aumentos nas passagens de ônibus e metrô, mas as manifestações só ganharam dimensões de massa após as primeiras violências policiais – e, então, as reivindicações já eram outras. Saúde, educação, corrupção: palavras de ordem substanciais, porém genéricas, evidenciaram uma crise do sistema político e das instituições da democracia brasileira.

“Hospitais padrão FIFA”, gritaram os manifestantes que ocuparam as ruas após um longo ciclo de crescimento da economia, da renda e do consumo. A Copa das Confederações, ensaio geral da Copa do Mundo, figurou como detonador auxiliar das “jornadas de junho”, que se encerraram na hora do apito final. Depois, como rescaldo, permaneceram nas ruas pequenos grupos organizados (e encapuzados), que revivem as táticas de “ação direta” empregadas na Europa dos anos 1970 e 1980.

Os enigmas estão por todos os lados. Eles são tão numerosos quanto as narrativas concorrentes sobre o sentido, o significado e o futuro das manifestações que, como um raio no céu claro, introduziram a incerteza na paisagem degradada da vida política do país.

Café Filosófico CPFL
Módulo:  Fragmentos da democracia – as “jornadas de junho” no Brasil
Curadoria:  Demétrio Magnoli
Tema: A voz das ruas e as ruas sem voz
Palestrante: Reinaldo Azevedo
Data: 25 de outubro de 2013
Horário: 19h
Local: Instituto CPFL | Cultura (Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera, Campinas – SP)
Entrada gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h.
Transmissão online em www.cpflcultura.com.br/aovivo
Informações: Instituto CPFL – Cultura (19) 3756-8000 ou em www.cpflcultura.com.br

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