FUTA

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Por J. M. DE BARROS DIAS

Repousam todos, sem galões nem patentes, a meio caminho entre Florença e Bolonha. São, ao todo, trinta mil combatentes alemães da II Guerra Mundial que defendiam o Passo della Futa e que estão ali, sozinhos, à espera do tempo que lhes trará coisa nenhuma.

Quem visitar Futa, seja qual for o dia, seja qual for a hora, há-de sentir a brisa que, por lá, é sempiterna. Esse vento agoirento dos Apeninos Tosco-Romagnolos lembra que, naquelas sepulturas, dormem púberes que estavam quase, quase, a ser homens. Apodreceram, em Futa, alguns miúdos de quinze anos. Por ali foram morrendo, dia após dia, ano após ano, década após década, sem uma flor, sem um afago, mortos longe das mães que tanto os choraram até morrerem de desgosto jamais mitigado.

O vento agreste de Futa é uma Oração pela Paz. É, também, a recordação dos jovens dos sonhos mutilados que, um dia, acreditaram estar a Alemanha acima de tudo, acima de tudo, no mundo. Aquele vento que sopra na Terra dos Mortos vai dizendo, a quem o souber ouvir, que Adolfo Hitler e seus milhões de adeptos banalizaram o Mal em nome de uma concepção materialista e hedionda de Europa. E avisa. O vento que sopra das entranhas do Hades é o murmúrio da História. Ele está ciciando que morreremos, todos, se não escutarmos os sonhos totalitários que habitam os corações dos seres humanos de hoje.