Infelizmente, já não há mais como evitar uma certa convulsão social

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Podemos estar redondamente enganados, mas, a nosso ver, a força-tarefa da Lava Jato já tem em mãos fartas provas de envolvimento do ex-presidente Lula em vários casos de corrupção. E não é de hoje. Desde o início das investigações mais aprofundadas, certamente lhes chegaram ao conhecimento indícios, documentos, depoimentos, etc., que implicariam na culpa de Lula como o capo di tutti i capi.
Fica então a pergunta a que todos gostariam de ter resposta: por que Sérgio Moro não prendeu Lula ainda?
Inicialmente, imaginamos, a força-tarefa, tão logo tenha obtido as primeiras informações do envolvimento de Lula, traçou uma estratégia de ação visando a preservação das investigações como um todo. Todos já sabem do comprometimento dos Tribunais Superiores com os atuais mandatários. Assim, se a investigação conduzida em Curitiba tivesse mirado inicialmente os andares superiores dos esquemas, certamente os tubarões teriam obtido sua soltura através do STF ou STJ, e um sufocamento ou esvaziamentos da força-tarefa, implicando numa desmoralização da ainda incipiente Lava Jato.
Sua linha de ação foi, então, partir para cima das empreiteiras envolvidas, expondo apenas os peixes miúdos entre os políticos e autoridades que eventualmente se prendessem nas malhas de sua rede, de forma a ir encorpando a Lava Jato, como de fato aconteceu, e, ao mesmo tempo, minando os pilares de apoio dos grandões.
No entanto a disposição da quadrilha no Poder de fazer o diabo a qualquer custo para se manter em pé, aliada ao profundo apodrecimento de nosso sistema político, que somente elege parlamentares comprometidos com seu próprio umbigo, ou com os seus financiadores, além de uma oposição titubeante, frouxa, sem união e sem uma liderança proeminente, acabou por nos trazer ao atual quadro, no qual até a Lava Jato está sendo obrigada a refazer a sua estratégia de atuação.
Tal acirramento das posições contrárias, de um lado o governo, o PT e todos os parlamentares, com pouquíssimas exceções, cujo único objetivo é se livrar da responsabilização de suas sujeiras, ou de amenizá-las, ou até mesmo de postergá-las, e do outro lado 93% da população que não suporta mais ser tratada com tanto descarado cinismo, e que vê o país se aprofundando numa crise que nos exigirá anos de sofrimento e recuperação, está propiciando que vozes mais exaltadas, de ambos os lados, comecem a merecer atenção.
Do lado dos vermelhos, muitos líderes, inclusive o próprio Lula, já ameaçaram a população com o exército de Stédile, com extermínio dos que têm opiniões contrárias e com violências sobre manifestantes pacíficos contrários ao governo. Do lado dos que se opõem ao PT, já é comum nas redes sociais se deparar com usuários que pregam o uso de violência para que se atinja a meta que a democracia não está possibilitando. Já surgiram até montagens ilustrando a cabeça de Dilma sendo estraçalhada por um tiro!
Tal tensão, causada principalmente pela renitente incapacidade do governo de atentar para as necessidades do país e pela inércia política de um Parlamento altamente comprometido, está culminando para nos conduzir à triste escolha entre dois únicos, e indesejáveis, caminhos.
O primeiro deles contempla o seguimento da Lava Jato na sua estratégia inicial, ou seja, continuar pegando apenas os peixinhos para minar as forças dos tubarões.
Nesse caso, como já podemos vislumbrar pela ainda incipiente, porém crescente, ocupação dos gramados do Congresso Nacional pelos movimentos de protesto, e também pelas manifestações que brotam espontaneamente em várias cidades do país, a tendência é que a indefinição do quadro de crise contribua para inflar esses movimentos, aumentando o número de pessoas que os engrossarão e sua frequência.
Os políticos serão incapazes, como até agora o foram, de dar uma resposta convincente a esses manifestantes, porém Lula e seus aliados certamente acusarão a pressão e decidirão que precisam contra-atacar.
Corremos, então, o risco de que os movimentos sociais vermelhos sejam chamados para se contrapor aos manifestantes verde-amarelos, o que transformará qualquer manifestação num potencial barril de pólvora.
Claro como água que, caso esse quadro se concretize, serão inevitáveis os confrontos, que poderão desaguar numa convulsão social.
O segundo caminho inevitavelmente implicará numa alteração de rota nos planos iniciais da Lava Jato e na imediata implicação de Lula nas investigações. Para ter um mínimo de eficiência, deverá contemplar, pelo menos, uma prisão temporária do ex-presidente, para que ele preste esclarecimentos à força-tarefa.
Sérgio Moro e toda a sua equipe, assim como todos os brasileiros, têm a certeza de que, nesse caso, o exército de Stédile e outros tantos beligerantes grupos, provavelmente armados, tentarão impor à força a impunidade de seu líder maior. Pronto! Estamos, aqui também, às voltas com uma convulsão social!
Essa é uma projeção aparentemente catastrofista para a atual crise, porém não podemos ignorar essas possibilidades. A alternativa ideal, pacífica, constitucional e até mais fácil, seria uma solução política para ela, com a inevitável queda do PT do Poder e a assunção dele por uma liderança mais ou menos confiável. O mais simples, direto e produtivo, seria a queda de Dilma, com Temer assumindo imediatamente e nomeando um ministério enxuto e, principalmente, técnico, sem a participação de qualquer político, seja de que partido for.
Mas, aqui somos obrigados a fazer a pergunta quem ninguém gostaria de responder: você acredita que essa última hipótese pode mesmo acontecer?
Bem,… teremos aí uns 15, 20, ou até 30 dias para ver se algum juízo acaba por visitar nosso Congresso. Torçamos!
A Opinião do Brasil Decente – 25/10/2015 – http://brasildecente.com.br/convulsao.php