HIPNOSE – (Carmen Viana – 03/11/2015)

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1ª PROVOCAÇÃO: Todos são livres para projetar o que quer ser, livres para construir sua essência e determinar seu “destino”. Se alguém falir foi porque, consciente ou inconscientemente, escolheu a falência. Se for bem sucedido, escolheu o sucesso. Reforça Sartre “O Ser Humano é tão-somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer… Nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo… É aquilo que se projeta num futuro e que tem consciência de estar se projetando no futuro”. Numa frase, Mondin define a questão da liberdade para o ser humano escolher a sua forma de vida: “todos são livres até para deixar de ser livre”. Para Nietzsche “a liberdade não é mais que a aceitação consciente de um destino”. O homem libertado de vínculos despreza qualquer verdade estabelecida ou por estabelecer, está apto a se exprimir em todos os seus atos, é senhor de si mesmo. A liberdade para determinar como se quer viver depende unicamente de como se pensa ou procede. Compartilha destes conceitos, o pensamento de K. Marx, S. Freud, Montesquieu, Rousseau, Voltaire e Foucault. Mas o primeiro a pensar assim foi Epicuro, suas idéias serviram de antecedentes para os pensadores modernos (Carreiro A. A. Hipnose Etiologia e Praxis. SP, Editora Fiúza, 1999).
2ª PROVOCAÇÃO: Boa parte dos equívocos da medicina ocidental reside no fato de se ter priorizado a técnica e a teoria científica como onipotente e posto de lado tudo aquilo que é subjetivo, mutável, complexo, variável, não científico, mas estas características que se abandona são precisamente os atributos que talvez melhor represente a humanidade. Parece necessário e até imprescindível se estabelecer também esses vínculos de subjetividade na relação médico-paciente, considerar as emoções como parte integrante do processo de cura. Neste caso o uso da hipnose, se destituída de mitos e preconceitos, pode ser concebida como uma prática médica, oferecendo contribuições para o atual modelo clínico dispor de práticas bem humanizadas e promotoras de saúde (Carreiro, A. A. Hipnose & Saúde psicossomática. Ba, Editora JM, 2014)
3ª PROVOCAÇÃO: Na busca da interpretação acadêmica do que pode ser a hipnose e, principalmente, seu envolvimento com práticas terapêuticas, a hermenêutica ganha relevância. Analisar e interpretar suas múltiplas faces são caminhos obrigatórios e têm como ponto de partida a reflexão dialética com base na diversidade e transversalidade dos saberes até então acumulados. É um tema que transcende em sua complexidade os limites das suas próprias explicações, seu estudo é permeado pela emoção e pela intuição, duas variáveis que vão além do paradigma da razão e da verdade científica atual (Carreiro, A. A. Hipnose & Saúde psicossomática. Ba, Editora JM, 2014).
4ª PROVOCAÇÃO:A hipnose ainda é interpretada pelo lado mágico, traz reminiscências da tradição do pensamento mítico ou tem por base a tutela das explicações prontas e acabadas impostas pela disciplina do conhecimento religioso, transmitida pelo magistério da Igreja, num tempo em que a ciência, filosofia e religião conviviam juntas. Por isso, é geralmente pré-conceituada por visões equivocadas e até já superadas. Se não pode ser vinculada à religião, a hipnose também não se fundamenta na razão pura da lógica cientifica, principalmente porque sua prática trabalha com a emoção. Mas seja qual for sua concepção explicativa ou forma como se manifesta, parece que é um recurso natural para responder questões complicadas sobre a prática milenar da autocura. Seu uso pode ser um caminho da liberdade que cada um tem para conduzir sua própria vida, determinando ações e sentimentos, sem necessidade de recorrer às teorias convencionais, credos, religiões ou filosofias (Carreiro A. A. Antropologia & Espiritualidade. Ba, Editora JB, 2014).
5ª PROVOCAÇÃO: É possível que os efeitos hipnóticos sejam incompreensíveis porque ainda não se tem o desenvolvimento da percepção e do conhecimento suficiente para entendê-los, mas isso não justifica que se deve aceitar qualquer resposta como consolo pela incapacidade de visão do real. A explicação pela vertente religiosa parece complexa por reunir valores de fé e doutrinação, envolvendo aí conceitos de Deus e milagres tanto na vida particular como pública. Assim, para analisar a hipnose neste contexto, é necessário recriar as relações entre a fé e a razão, fé e sociedade. É preciso esboçar uma nova compreensão e novo discurso sobre Deus que não pode ser apenas percebido por uma concepção fechada, vindo dos céus e determinado pelas religiões que sempre serviram de instrumento de dominação e controle sobre a mente e a liberdade de pensamento (Carreiro, A. A. Antropologia e Espiritualidade. Ba, JM, 2013). Via Antonio Carreiro